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Um Anónimo em Lisboa

Um Anónimo em Lisboa

Azar do Azeredo

O Ministro da Defesa Nacional anda com azar...

 

Começou com a entrevista do Sub-Diretor do Colégio Militar, que deu origem à demissão do Chefe de Estado Maior do Exército

Continuou com as mortes do curso de Comandos, onde ficou suspenso o médico do curso

Acabou com o roubo do material de guerra de Tancos, onde foram exonerados os comandantes das 5 unidades residentes (Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida, Regimento de Infantaria 15, Regimento de Paraquedistas, Regimento de Engenharia 1 e Unidade de Apoio de Material do Exército).  

 

Começando com o caso do Colégio Militar, onde uma entrevista péssima do subdiretor deu origem a uma polémica sobre como o Colégio Militar trata os alunos homossexuais. Nesta altura, o Ministro deu ordem para demitir a direção do Colégio Militar, ordem essa que o Chefe de Estado Maior do Exército não cumpriu, pois considerou que não estavam esclarecidos os factos. Preferiu então demitir-se, até pela ingerência do Ministro na Instituição Militar.

No caso das mortes dos Comandos, há algo de incompreensível. Os cursos para Comandos devem ser exigentes. Devem preparar os seus instruendos para todas as situações, especialmente as mais difíceis. Não consigo compreender as palavras do comandante de companhia do curso "era constituído por instruendos na sua generalidade de médio/baixo nível quanto à parte física". A ser verdade, quem permitiu que fossem admitidos num curso tão exigente como o dos Comandos? Quem fez e quem avaliou as admissões?

Por fim o roubo de material de guerra do Polígono Militar de Tancos. Nem sei por onde começar. Roubo de material de guerra de Instalações Militares? Não consigo dizer o que é mais grave - se a hipótese de ser um trabalho interno ou um trabalho externo. A gravidade é extrema em qualquer dos casos. Um trabalho interno implica que há pessoas nas Forças Armadas que roubam. Pior, que traem a sua unidade, o Exército e o seu País. Para mim, impensável. Se o trabalho é externo, então como é possível alguém entrar numa zona militarizada e servir-se de um ou mais paióis, sem ninguém dar conta? Onde estavam as rondas, a vigilância? Segue-se o material roubado. 44 bazocas? 150 granadas? 30 granadas de gás lacrimogéneo? Munições? Será que este material sai na mão de alguém? Ou além do roubo, conseguiram entrar com uma viatura para carregar o material roubado?

Confesso que não conheço o Polígono de Tancos, não sei as suas especificidades geográficas, mas isto para mim é inimaginável... Outra situação que me custa a compreender são as palavras do Chefe de Estado Maior do Exército: "Não quero que haja entraves às averiguações e decidi exonerar os cinco comandantes das unidades que de alguma forma estão relacionadas com estes processos." Mas... É esta a confiança que o CEME tem nos seus comandantes? Prefere exonerar os comandantes das unidades para não colocarem entraves a uma investigação? 

Tendo em conta o que se tem passado, Chefe de Estado Maior do Exército, Chefe de Estado Maior das Forças Armadas e Ministro da Defesa Nacional, devem-se demitir.

 

É azar...