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Um Anónimo em Lisboa

Um Anónimo em Lisboa

Dilema das listas

Um mês depois do grande incêndio de Pedrogão Grande, estaria à espera de poder escrever sobre o que foi feito, quer para prevenir, quer para remediar o que aconteceu. Mas, surpresa, andamos a discutir listas e contagens.

Não se iludam, o que está a acontecer não é novo. Tinha uma vaga ideia, e fui procurar. Em 2008 discutia-se os critérios para contabilizar mortos na estrada. Pois, nessa altura, só contavam para as estatísticas quem morria na estrada ou a caminho do hospital. Depois, na Estratégia Nacional para a Segurança Rodoviária 2008-2015, passaram a ser contabilizadas as pessoas que morriam até 30 dias após um acidente de viação.

Pelos vistos, agora discute-se como se contabilizam os mortos nos incêndios. O critério, anunciado pela Ministra da Administração Interna, são vitimas com queimaduras ou inalação de fumos. Não concordo nem discordo. Não tenho conhecimentos para tal. Não sei se vitimas de atropelamento em fuga do incêndio devem contar ou se alguma pessoa teve um enfarte deve ser contabilizada ou não. São discussões técnicas, estatísticas apenas!

Morreram pessoas. Ponto. 64, 65, 67 ou 74 não faz qualquer diferença. São pessoas, com família e amigos. E o que importa é resolver os seus problemas. Dos que ficaram sem casa, sem bens, sem roupa. Dos que perderam os seus cultivos. E resolver as hipóteses de isto acontecer novamente.

Porque na política não pode valer tudo. Deixem as listas em paz. E concentrem-se no que realmente importa.