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Um Anónimo em Lisboa

Um Anónimo em Lisboa

O jogo vai começar...

Casa cheia.

Sussurros...

(Sente-se a tensão no ar)

Quem fará parte da equipa? Quem brilhará hoje? Quem acertará mais no alvo? Ou, pelo contrário, quem será atingido?

(Um nervoso miúdinho...)

Os artistas preparam-se...

 

E começou!

 

Não se trata de uma competição de Tiro ao alvo. Nem de bilhar. Nem de futebol. O que estou a tentar descrever é a Assembleia da República.

 

Os governantes, os líderes parlamentares e os dirigentes dos partidos. São estes os protagonistas. Tentarão ganhar este jogo para a sua equipa. Falam, discursam, tentam atingir o adversário, seja pelo auto elogio ou pela crítica.

Os outros, a grande maioria, está lá para aplaudir, apupar, rir-se ou encorajar. Gritos de "muito bem" vão-se ouvindo, enquanto os artistas principais desfiam os seus argumentos. O importante é a equipa que representam, o seu partido ganhar.

A política deixou de ser a gestão da pólis. Passou a ser apenas o verdadeiro jogo partidário. E cá fora, os cidadãos gritam e pulam, qual claque, votando sempre no seu partido.

Não há uma cultura de análise de programas políticos em Portugal. O voto é decidido pelo partido de sempre, ou pela simpatia do candidato.

E assim ficamos numa pescadinha de rabo na boca. A classe política não muda porque não há exigência dos eleitores, e não há educação dos eleitores porque a classe política não muda...