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Um Anónimo em Lisboa

Um Anónimo em Lisboa

A insustentável leveza do não ser anónimo

Este blogue é anónimo. É de um anónimo de Lisboa. Alguém que não é, nem quer ser. Alguém que não quer que o nome seja conhecido. Porque não, porque não quer julgamentos, porque quer dizer o que lhe apetece sem que justificar ou defender o que diz perante amigos e/ou família. E, como tal, percebe perfeitamente a posição defendida pela página de Facebook "Os Truques da Imprensa Portuguesa". Não interessa quem são. Interessa o que fazem. 

Não são perfeitos. Algumas vezes discordei com eles. Mas o interesse está lá. O desmontar de alguns truques que os Órgãos de Comunicação Social utilizam. As palavras chave para influenciar a ideia do leitor. A escolha dos números e das comparações. O modo de transmitir a mensagem. A comparação de vários títulos para a mesma notícia. Acima de tudo, tentam chamar a atenção para o facto, cada vez mais corrente, que os jornais (papel ou não) não transmitem apenas os factos, mas sim a sua interpretação dos factos. Tentam dar mecanismos para o cidadão comum avaliar por si cada notícia.

E para isto, não interessa se é o Pedro, o Manuel ou o Joaquim. Não quero saber se são membros de um partido ou de um clube. O importante é o serviço.

E, como seria de esperar, assim que foram conhecidos os seus nomes, começaram os ataques. Pessoais. De pessoas com cargos de algum relevo. 

A mensagem do senhor subdiretor do Público é absolutamente execrável. Se fosse para defender o seu jornal, estaria no seu direito, mas partir apenas para o insulto e para a tentativa de enxovalho público é... Bem, nem sei o que é.

Continuação de bom trabalho, para os Truques|

Uma imagem vale mil palavras. Ou não! - Crónica sobre jornalismo

Isto a propósito do modo como se consomem notícias hoje em dia. Encontrei esta imagem no facebook.

Não sei onde foi ou se aconteceu sequer, mas mostra bem o perigo das meias verdades. Hoje o que conta é o que se vê. E se alguém publicar a primeira imagem, apenas se vê um polícia, ou soldado, a ameaçar uma criança. É factual, verídico. No entanto, contextualizando, com a imagem completa, a realidade é completamente distinta. Continua o soldado, a raquete e a criança, mas decorre um jogo com outra criança. 

Este exemplo serve para transmitir que, infelizmente, alguma comunicação social, hoje em dia, tem uma agenda própria. Serve para transmitir que, hoje em dia, ao contrário do que se pensa, é muito mais trabalhoso para uma pessoa estar corretamente informada. Sim, nesta sociedade de acesso total à informação, dá muito mais trabalho estar informado, do que no século passado. Porque hoje temos o dobro do trabalho. É necessário ver a notícia, e depois é necessário averiguar se essa notícia está contextualizada ou aconteceu mesmo. Mais, com a propagação do Twitter,do Facebook e de outros, é preciso separar o trigo do joio. Não há qualquer filtro ao que é publicado, por particulares ou por outros. O que começa por ser uma piada, ou um acontecimento restrito, torna-se num boato a nível mundial. Dois exemplos apenas:

 Em Novembro, surgiu uma notícia que a CNN teria transmitido pornografia durante algum tempo. Esta situação deu a volta ao mundo e em pouco tempo era notícia em todo o lado. Na realidade, o que aconteceu foi que numa determinada zona dos Estados Unidos, uma empresa de cabo transmitiu no canal onde costuma passar a CNN pornografia. Ou seja, não foi a CNN, foi apenas uma retransmissora, num determinado local. Esta notícia partiu de um tweet, e rápidamente chegou a várias redações, que não perderam tempo a confirmar a veracidade do facto e limitaram-se a transmitir.

Outro caso aconteceu com o desastre da equipa de futebol chapecoense. Pouco depois começaram a circular notícias que o PSG daria 40 milhões, ou que o Cristiano Ronaldo daria ao clube 3 milhões. Ambas foram desmentidas.

Este texto vem na sequência da nova ferramenta do Facebook para sinalizar notícas falsas (http://newsroom.fb.com/news/2016/12/news-feed-fyi-addressing-hoaxes-and-fake-news/). Embora não seja a solução, é um princípio, para combater esta epidemia.

Não serve, no entanto, para combater as notícas verdadeiras, mas que induzem em erro. Esta do Observador é flagrante (através da página de facebook "Os truques da Imprensa"):

 

 Reparem que a companhia nasce em 2009, mas começou a ter acidentes em 1981!