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Um Anónimo em Lisboa

Um Anónimo em Lisboa

Às armas!

E a novela do assalto aos Paióis Nacionais de Tancos continua. Depois do assalto, depois da divulgação do material roubado, depois da exoneração dos comandantes das unidades, depois das demissões, depois de ser divulgado que supostamente teria havido uma denuncia sobre o que poderia acontecer, depois do anuncio do valor e da validade do material roubado e depois do anúncio do encerramento dos referidos paióis, novo episódio!

 

Os 5 comandantes que poderiam interferir com as "absolutas condições de isenção e transparência" das averiguações internas foram reconduzidos, pois nestas investigações conseguiram "ultrapassar as razões que justificaram a exoneração". Tudo isto, para mim, é surreal. 

 

Não consigo perceber como é possível assaltar uma zona militarizada. É algo fora da minha imaginação. Mas, tendo acontecido, tudo o que se seguiu é um desastre total.

Assistimos a uma total incapacidade de todos os envolvidos de gerir este assunto. Erros atrás de erros... Foi transmitido o desnorte total à população. 

 

As Forças Armadas fazem guerra. Assim, sem falinhas mansas. O Exército, a Marinha e a Força Aérea existem para defender o país. Contras as ameaças à sua soberania. E isso é feito através de guerra.

Muito bem. Sendo assim, estarão preparados para a guerra. Penso eu. Espero eu...

 

O que não consigo perceber é como, não havendo guerra, não conseguem tomar decisões sobre pressão. Porque imagino que seja assim que aconteça. Em estado de guerra, haja pressão, muita pressão, e uma decisão errada custe vidas.

Neste caso, não há guerra, mas houve uma situação grave, que causou uma grande tensão. E isso deu origem a uma série de erros sucessivos.

Como já referi noutro artigo, a exoneração dos cinco comandantes é uma piada de mau gosto. O seu regresso ultrapassa isso. O que se alterou? Temos o direito a saber, como soubemos que o CEME não confiava nesses comandantes. Porque se confiasse, não haveria necessidade de os exonerar... 

Aquela conferência de imprensa do CEMGFA e dos CE das três armas é apenas outro capítulo. Admitindo ser verdade, porque esperaram uma semana para o fazer. Porque não no dia a seguir, ou quando o Presidente da República (e Comandante Supremo das Forças Armadas) visitou os Paióis? Porque com o tempo que passou, ficou a cheirar a esturro.

 

Não sou contra as Forças Armadas. Nunca. Mas sou a favor de umas Forças Armadas credíveis, bem estruturadas, com capacidades não só militares, mas adequadas ao mundo onde vivemos hoje. E isso parece-me que não será possível com os atuais envolvidos.

1, 2, 3, outra vez...

1

Faz hoje um ano que Portugal se sagrou Campeão Europeu de Futebol. Um feito único, que deu um enorme reforço à confiança nacional. Porque Portugal tem excelentes técnicos, óptimas valências, mas falta-lhe sempre a confiança para ganhar. Quase que chega lá, mas... E esta vitória deu mesmo isso ao País. Confiança que pode, que consegue. Não é só futebol, é o que representa. E esta vitória deu essa confiança. A confiança que permitiu ao Salvador Sobral chegar e vencer o Festival Eurovisão da Canção. A confiança de que podemos ser originais, e não tentar ganhar imitando os outros.

 

2

Dois Generais que se demitiram. Duas pessoas que, em desacordo com o seu Chefe, preferem demitir-se. E os outros dois, os que deviam demitir-se, não se demitem. O Ministro e o Chefe de Estado Maior do Exército não se demitem. E já percebemos que o segundo está lá para defender o primeiro. Foi nomeado na sequência da demissão do anterior CEME, por não aceitar a interferência do Ministro da Defesa no caso do Colégio Militar. Foi nomeado por aceitar essa interferência. E assim continua.

 

3

Ou 1+2. Durante a caminhada que deu origem ao ponto 1, três Secretários de Estado, juntamente com alguns deputados, foram a França ver jogo(s) da Seleção. Em vez de procederem como os mencionados no ponto 2, entenderam que não fizeram nada de errado. Não os criticarei por isso. É seu direito terem esse entendimento. O que critico é demitirem-se agora. Se há um ano estavam convictos que não era incorreto, porque se demitem? Porque não defender a sua inocência? Onde fica prejudicado ou fragilizado um governo se membros seus forem constituidos arguidos? Não há a presunção da inocência neste País? 

Ou então estes três são os cordeiros sacrificados para tentar desviar as atenções dos acontecimentos mais recentes? Serão estas demissões a criação de um facto para desaparecer das notícias de dois embaraços graves, como foram o incêndio de Pedrogão Grande e o asslato de Tancos? 

Espero que não, mas a dúvida subsiste. Porque o timing é realmente inexplicável. A 20 dias das férias, a 3 meses de eleições...

Veremos!

 

Azar do Azeredo

O Ministro da Defesa Nacional anda com azar...

 

Começou com a entrevista do Sub-Diretor do Colégio Militar, que deu origem à demissão do Chefe de Estado Maior do Exército

Continuou com as mortes do curso de Comandos, onde ficou suspenso o médico do curso

Acabou com o roubo do material de guerra de Tancos, onde foram exonerados os comandantes das 5 unidades residentes (Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida, Regimento de Infantaria 15, Regimento de Paraquedistas, Regimento de Engenharia 1 e Unidade de Apoio de Material do Exército).  

 

Começando com o caso do Colégio Militar, onde uma entrevista péssima do subdiretor deu origem a uma polémica sobre como o Colégio Militar trata os alunos homossexuais. Nesta altura, o Ministro deu ordem para demitir a direção do Colégio Militar, ordem essa que o Chefe de Estado Maior do Exército não cumpriu, pois considerou que não estavam esclarecidos os factos. Preferiu então demitir-se, até pela ingerência do Ministro na Instituição Militar.

No caso das mortes dos Comandos, há algo de incompreensível. Os cursos para Comandos devem ser exigentes. Devem preparar os seus instruendos para todas as situações, especialmente as mais difíceis. Não consigo compreender as palavras do comandante de companhia do curso "era constituído por instruendos na sua generalidade de médio/baixo nível quanto à parte física". A ser verdade, quem permitiu que fossem admitidos num curso tão exigente como o dos Comandos? Quem fez e quem avaliou as admissões?

Por fim o roubo de material de guerra do Polígono Militar de Tancos. Nem sei por onde começar. Roubo de material de guerra de Instalações Militares? Não consigo dizer o que é mais grave - se a hipótese de ser um trabalho interno ou um trabalho externo. A gravidade é extrema em qualquer dos casos. Um trabalho interno implica que há pessoas nas Forças Armadas que roubam. Pior, que traem a sua unidade, o Exército e o seu País. Para mim, impensável. Se o trabalho é externo, então como é possível alguém entrar numa zona militarizada e servir-se de um ou mais paióis, sem ninguém dar conta? Onde estavam as rondas, a vigilância? Segue-se o material roubado. 44 bazocas? 150 granadas? 30 granadas de gás lacrimogéneo? Munições? Será que este material sai na mão de alguém? Ou além do roubo, conseguiram entrar com uma viatura para carregar o material roubado?

Confesso que não conheço o Polígono de Tancos, não sei as suas especificidades geográficas, mas isto para mim é inimaginável... Outra situação que me custa a compreender são as palavras do Chefe de Estado Maior do Exército: "Não quero que haja entraves às averiguações e decidi exonerar os cinco comandantes das unidades que de alguma forma estão relacionadas com estes processos." Mas... É esta a confiança que o CEME tem nos seus comandantes? Prefere exonerar os comandantes das unidades para não colocarem entraves a uma investigação? 

Tendo em conta o que se tem passado, Chefe de Estado Maior do Exército, Chefe de Estado Maior das Forças Armadas e Ministro da Defesa Nacional, devem-se demitir.

 

É azar...