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Um Anónimo em Lisboa

Um Anónimo em Lisboa

Chega de futebol...

E porque chega de futebol, começou na sexta-feira a 88ª Feira do Livro de Lisboa.

 

Esse pequeno espaço de prazer, quando os livros saiem à rua. Quando parece que a cidade inteira lê, quando famílias inteiras passeiam por entre os quiosques. Quando o Parque Eduardo VII tem vida dia e noite. Vida saudável, bem entendido...

 

Porque ler é viver, é sonhar, é entrar num mundo só nosso, é tão bom quando chega esta altura. Quando descobrimos os livros novos, ou aquele mais antigo que não existe nas livrarias. Quando verdadeiramente fruimos e usufruimos daquele espaço verde desta cidade. 

 

Confesso que vou à Feira do Livro desde que me lembro. Não sei se fui todos os anos em criança, mas seguramente à mais de vinte anos que não falho um ano. Confesso ainda que sou maníaco (é uma palavra forte, eu sei). Primeiro tenho que ir sozinho, dar apenas uma volta. Só para cheirar, para reconhecer. Depois sim, volto sozinho e/ou com a família, explorando todas as bancas com calma. Trocando dois dedos de palavras com quem trabalha nos stands, pedindo recomendações. Porque é tão diferente de ir a uma livraria.

 

E já consegui transmitir o "bichinho" ao filho mais velho. Com 7 anos, já adora ir à feira do Livro. É objeto de longa negociação quanto é que poderá gastar das suas poupanças. Espera ansiosamente esta temporada, perguntando de quando em vez "quando é que começa a feira do Livro".

 

Chega de futebol...

 

Feira do Livro - link

Hino ao desporto...

Hoje foi dia de Benfica-Sporting. Hoje foi dia de Derby. Sim, com maiúscula e tudo. Porque é um dos maiores e mais antigos derbies do mundo.

Sou Sportinguista, mas não quero discutir quem ganhou ou perdeu.

Faz-me confusão o ponto a que chegou o futebol. As notícias não são os jogadores, mas sim quantos adeptos foram presos ou feridos. Ver o cortejo das claques visitantes a chegar aos estádios é um espetáculo tenebroso. De gente que não está lá para ver futebol, ou para apoiar a sua equipa, mas para causar distúrbios. E não digo isto em relação às claques do Sporting, mas sim em relação a todas.

Os adeptos transformaram-se em soldados e os estádios (e as suas redondezas) em campos de batalha. No meio, perde o futebol. 

Hoje em dia é impossível ir a um estádio que não seja o do próprio clube. É impossível levar amigos ou familia que sejam do adversário. Aliás, deixou de haver respeito pelos adeptos da outra equipa. A coberto de movimentos ultra, já morreram pessoas em estádios, já foram espancadas pessoas dentro e fora dos estádios. E isto não é desporto.

As rivalidades são salutares. Mas o respeito pelo adversário também. Saber ganhar e saber perder deveria fazer parte da educação. E acima de tudo, não ultrapassar determinados limites. Não sei se aconteceu hoje, mas ouvir claques do Benfica a cantar "FOI NO JAMOR QUE O LAGARTO ARDEU / NA FINAL DA TAÇA O VERY LIGHT É QUE O ..." ultrapassa todos os limites. E não é caso único. Por causa do desastre que vitimou a equipa do Chapecoense, uma das mais bonitas homenagens foi no estádio da Juventus.

 Mas também no mesmo estádio, já apareceram vários cartazes a gozar com o desastre do Torino...

 Enquanto isto continuar, enquanto não se perceber que um jogo não é uma batalha, o futebol não é desporto.